segunda-feira, janeiro 02, 2006

Re: Aquisição de Conhecimento e valor da escrita no e-Learning

No contexto da questão colocada pelo Hugo, entendo que o texto continua a ser um instrumento essencial (a própria estrutura da internet basea-se na "leitura" pelos "spiders" de texto...), encontrando noutros meios como o desenho (Quem não se lembra das gravuras nos livros em "O Nome da Rosa"?), imagens, sons - Sempre na óptica de ser complemento e não substituto.


A «escrita não linear» não é mais do que o produto dessas dimensões; Enquanto que o eLearning é uma ferramenta no uso dessas dimensões.


Veja-se, como exemplo curioso, http://www.geocities.com/Athens/Pantheon/2990/objetivos.html


Cito dessa página:


- "Buscando a compreensão do binômio Tecnologia e Educação, partindo dos recursos disponíveis no ambiente escolar, elaboramos um projeto que visa a construção de homepages, envolvendo a aquisição da linguagem verbal e não-verbal. A homepage é o resultado da elaboração de um sistema complexo simbólico de relações intertextuais e hipertextuais."- e -"Introduz-se novos elementos no desenvolvimento do indivíduo, e configura-se um outro tipo de escrita que exige um novo aprendizado. O aluno não conta apenas com o papel, a caneta e o dicionário, mas escreve num teclado, lê numa tela e seu texto é corrigido pelo auto-corretor de textos que lhe aponta os possíveis formas corretas. Para dominar a nova técnica, ele efetua processos de compreensão mentais mais complexos, diferente daquela do papel que ele já dominava."


- "O indivíduo depara-se com uma escrita não linear, pode fazer uso de imagens, palavras e sons simultaneamente, possui mobilidade espacial. Tudo isso facilita o processo de produção. A utilização de materiais diversos para ampliar ou representar um texto, dão à página um aspecto lúdico que transforma o ato de ler e escrever numa aprendizagem em forma de jogo."


Como formadores, devemos - no meu entender e prática - usar a escrita nesse contexto acima referido, multifacetado e sobretudo dinâmico na sua relação com o formando.


Fica-me, contudo, a sensação de que nos esquecemos de algo. Eu explico:


Defino à partida alguns vectores de análise, embora fora de contexto, que acabam por inflectir sobre as questões que o Hugo colocou:


a) O Conhecimento


Devemos manter presente que a forma escrita nunca foi necessariamente sinónima de Conhecimento: Na nossa civilização, a escrita verdadeiramente só surgiu com o Renascimento; Os Gregos davam a primazia à forma oral de transmissão conhecimento.


b) o "Gap"


Existem diversos "fossos" que ainda não foram abordados mas que limitam o e-learning:


1. A iliteracia informática da grande, esmagadora, percentagem da população divide cada vez mais a população e sobretudo as gerações.


Isto faz-me lembrar uma consultoria que fiz há poucos anos atrás para um construtor idoso de Albufeira; Cada vez que lhe explicava o que estava a fazer no seu computador, para ele e a sua empresa, surgia um esgar terrível na sua cara; Acabou, no final, por confessar que aquela máquina lhe fazia espécie e nada tinha percebido...


2. Na formação em geral, como em todas as áreas da nossa sociedade, existe um outro "entrincheiramento" que os Vossos comentários fazem sobressair: O das pessoas incapacitadas visual - e/ou auditivamente...


- Faz-me lembrar quando quis contratar em meados dos anos 90 um advogado invisual, via a ACAPO, para um dos meus escritórios; Todo o processo de aprendizagem foi, no contexto da actividade da mediação imobiliária, necessariamente oral. Não que ele não tivesse acesso a textos em Braille, mas existia uma imperiosa necessidade prática do exercício de funções...


c) Formas da aprendizagem e aquisição de conhecimentos


d) A dinâmica da formação


A formação, tal como o nosso ensino, peca por um excessivo uso do texto escrito, esquecendo que a oralidade, a musicalidade, o desenho manufacturado no quadro e na hora, são meios poderosos para motivar, incentivar e promover o formando na sua acção formativa.


Com isto termino dizendo que para mim o e-Learning terá sempre a necessidade de se misturar com a presencial, e que "as escritas" terão sempre de ser não lineares, pois de outro modo deixa de existir uma aprendizagem real e eficaz. Fica-se pelo faz de conta...


Pode ser portanto um grande contributo para a melhoria da formação.

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